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Arquiteto e Urbanista e Presidente da ARIES

09/09/2020 -Fonte: Diário de Pernambuco - Opinião

A eleição municipal se aproxima e em breve saberemos oficialmente quem serão os candidatos a prefeito do Recife. Mais do que saber como cada um ou cada uma pretende governar nossa cidade pelos próximos 4 anos, a população também deseja saber como os candidatos enxergam o Recife do futuro e como pretendem dar a sua contribuição para que em 2037, quando completaremos 500 anos de existência, os desejos da sociedade, expressos no Plano Recife 500 Anos (REC500), sejam atendidos.

O REC500 é fruto de um processo de escuta aberto à toda a sociedade e foi construído com a colaboração de especialistas, academia, organizações sociais, entidades de classe, sociedade civil organizada, bem como pela população em geral. Um debate que deu voz a cerca de 5 mil pessoas que puderam dizer como imaginam e esperam que o Recife esteja no seu aniversário de 500 anos. Como será nosso espaço urbano, como será nossa educação? Foram algumas perguntas que colocamos no debate. O resultado dessa discussão está consolidado em uma publicação, disponível no site www.rec500.org.br , e pretende preencher uma lacuna de pensar o desenvolvimento da cidade para além dos tempos políticos.

Os instrumentos formais de planejamento são peças com um horizonte de 4 anos. As exceções são o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que possuem ciclos mais longos, de 10 anos. Mas esses são instrumentos de Planejamento Urbano e o REC500 vai além. O Plano Recife 500 Anos é uma estratégia de cidade passando por todos os temas que estão no cotidiano da população: saúde, educação, empreendedorismo, inovação, meio-ambiente, clima, primeira infância, entre outros.

Nosso esforço, além de trazê-lo para o debate eleitoral, tem sido mobilizar a sociedade para discutir e acompanhar o que está posto ali. Um exemplo interessante foi a nossa participação no PE Avança, evento realizado pela Amcham, onde tivemos a oportunidade de conversar com empresas do setor imobiliário e construção civil do estado. Foi gratificante debater sobre alguns dos desejos do recifense para o nosso futuro: uma cidade com menos muros fechados entre o público e o privado, com o centro sendo uma nova fronteira para a habitação e o uso misto como dinamizador das centralidades, diminuindo a necessidade de deslocamentos, por exemplo.

Onde houver pessoas dispostas a conversar sobre o nosso futuro e se juntar ao desejo dos recifenses de uma cidade mais resiliente e menos desigual nós estaremos lá. Mas 2037 é logo ali e a cidade tem pressa. Muitos dos caminhos estratégicos e projetos citados no Plano já estão a pleno vapor. São projetos de responsabilidade dos setores público e privado. A ARIES, por exemplo, desenvolve alguns projetos que serão entregues em breve e a cidade poderá observar que o futuro é possível hoje. Espaços públicos voltados à Primeira Infância (0-6 anos), implementação de trechos do Parque Capibaribe, barcos movidos à energia solar fazendo a travessia do Rio Capibaribe, criação de painel de indicadores para o acompanhamento da implementação do REC500. Essas são entregas nossas para uma cidade que precisa, antes de mais nada, se reunir, reviver e reinventar.



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