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Seis famílias ocupam prédio condenado em Jardim Alântico

05/11/2020 -Fonte: Pernambuco.Com - Vida Urbana

Um prédio condenado há pelo menos 15 anos, que apresenta uma estrutura deteriorada, sem portas, janelas ou grades foi ocupado irregularmente em Olinda. Localizado no bairro de Jardim Atlântico, na Rua Professor Olímpio Magalhães, o edifício Marquês Felipe de número 815, abriga atualmente seis famílias que alegam não receberem ajuda ou moradia do município e que por isso ocuparam à construção. O prédio fica de frente para a milionária obra do Canal do Fragoso, que em alguns trechos também virou depósito de lixo para a população do entorno e para os ocupantes.
Os vizinhos da construção condenada, além de conviverem com o medo frequente do desabamento tiveram que reforçar a segurança do condomínio, com câmeras e cercas elétricas. "Um dia de 7h da manhã chegaram mais ou menos 20 pessoas e de 11h o efetivo já tinha retirado todas as grades, janelas e portas. A polícia foi chamada, conseguiu fazer com que eles parassem, mas quando os policiais foram embora eles voltaram e continuaram. Com cinco dias invadiram totalmente o prédio", disse o morador do prédio vizinho à construção, Solon Vieira, 63 anos. Na ocasião, também foram levadas as telhas do teto do prédio e quando chove o lugar acumula água parada, propiciando a reprodução de mosquitos.

"Nós estamos aqui há pelos menos três meses, antes disso vivíamos na rua. Temos muito medo de ficar aqui, mas é melhor do que ficar se arriscando na rua", disse uma das ocupantes da construção, Maria Bethânia, 37. Os ocupantes alegam que não foram os responsáveis pela invasão do prédio e que quando chegaram já havia muito lixo e entulho dentro dos apartamentos e na frente da ocupação. Eles se alimentam a partir de doações de entidades religiosas e quantias em dinheiro doadas por pessoas na rua.

Em resposta, a prefeitura informou que monitora a edificação e que foi iniciado o estudo técnico, para as ações invasivas no imóvel, garantindo a segurança de todo o perímetro circunvizinho. Um levantamento feito em julho identificou 98 famílias em ocupações irregulares, que foram incluídas no cadastro do auxílio moradia. Cerca de 20% das edificações que o município possui são ocupadas.

"No edifício mencionado, não foi identificada ocupação, à época. Diante do apontamento, uma equipe da área de Assistência Social do município vai até o local, em tempo hábil, para acompanhar a situação", disse o comunicado da prefeitura.

Há algumas semanas aconteceu um incêndio no terceiro andar do prédio ocupado, os vizinhos desconfiam que o incêndio teria sido proposital, já que as brigas são constantes por lá. Uma moradora vizinha que preferiu não se identificar falou que mora há dois anos ao lado da construção abandonada. "É muita sujeira que eles colocam aí, muita mosca e mosquito vem para a minha casa.Tem muito entulho e cigarro que eles jogam", disse à vizinha da construção. A prefeitura informou que uma equipe da Secretaria de Manutenção Urbana irá até o local para sanar possíveis pontos de descarte irregular de lixo.

Um dos vizinhos da construção disse que o edifício tem pelo menos 16 apartamentos, que são distribuídos em seus três andares. O local também já serviu como ponto de tráfico de drogas, prostituição e esconderijo para ladrões que assaltavam pela localidade.

Por ser de origem privada, a prefeitura de Olinda, através da Defesa Civil, não pode demolir à construção e aguarda o parecer da seguradora responsável, assim como a instrução judicial cabível. Segundo o engenheiro civil, Josinaldo Oliveira, da Defesa Civil de Olinda, esse tipo de construção popularmente chamada de prédio caixão é proibida, por lei, desde 2006 no município. "A forma construtiva desse tipo de construção é errada e nesse caso foram usados materiais inadequados. Ações como retiradas de paredes, abertura de bocais para o ar-condicionado e abertura de vãos para janelas e portas, aceleram o processo de deterioração da construção", afirmou o engenheiro.

Segundo ele, o município de Olinda possui hoje pelo menos 100 prédios condenados que estão espalhados por bairros como Rio Doce, Jardim Atlântico, Casa Caiada e Jardim Fragoso.



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