Falta de mão de obra acelera mecanização e muda rotina dos canteiros de obras - Equipamentos que reduzem esforço físico, agilizam etapas e aumentam produtividade ganham espaço em um setor que busca produzir mais e enfrentar gargalos de qualificação.

30/09/2026 - Sinduscon-PE

O bom momento vivido pela construção civil traz também um desafio para as empresas: encontrar profissionais qualificados para acompanhar o ritmo das obras. Nesse cenário, máquinas e equipamentos vêm ganhando espaço nos canteiros não apenas para executar trabalhos pesados, mas também para reduzir atividades manuais, acelerar processos e aumentar a produtividade das equipes.

Essa transformação pôde ser observada na Ficons 2026, que reuniu no Centro de Convenções de Pernambuco, de 15 a 18 de setembro, fabricantes, distribuidores e empresas de locação de máquinas e equipamentos utilizados em diferentes etapas de uma obra. Entre os expositores ligados ao segmento estiveram Sotreq, NE Máquinas, Palácio Locação de Máquinas, Casa do Construtor, Buffalo, Vibromak e Fortequip.

Na prática, a mecanização alcança desde a movimentação de materiais e preparação do terreno até atividades de corte, perfuração, compactação e outras tarefas tradicionalmente dependentes de trabalho manual. “Mais do que substituir trabalhadores, a tendência é utilizar equipamentos para aumentar a capacidade produtiva das equipes e direcionar profissionais para funções que exigem maior qualificação”, explica o presidente do Sinduscon-PE, Paulo Wanderley, entidade promotora da feira de negócios.

Entre as empresas que apresentaram soluções para mecanização na Ficons esteve a Sotreq, com máquinas destinadas a diferentes aplicações na construção. A empresa levou à feira equipamentos como minicarregadeira e miniescavadeira, indicadas para trabalhos em espaços confinados e subsolos; retroescavadeira, que reúne funções de carregamento e escavação; e carregadeira equipada com balança na caçamba, recurso que permite controlar a quantidade de material movimentado e acompanhar a produção diária. Além da comercialização de máquinas novas e seminovas, a empresa trabalha com locação, peças, serviços e alternativas de financiamento.

Produtividade passa pelo canteiro

O movimento ocorre justamente quando produtividade e industrialização ganham importância na construção. Com cronogramas cada vez mais apertados, custos elevados e necessidade de reduzir desperdícios, o tempo gasto em cada etapa passou a ter impacto direto sobre a competitividade dos empreendimentos.

A mecanização também interfere nas condições de trabalho. Equipamentos adequados podem reduzir esforço físico e tornar determinadas atividades mais padronizadas, mas exigem operadores treinados e reforçam a necessidade de qualificação profissional.

“Quando a gente mecaniza uma atividade, consegue ganhar principalmente em tempo e mão de obra. Uma plataforma pode ter um custo maior do que um andaime, por exemplo, mas é preciso olhar o custo-benefício: o equipamento chega à obra pronto para ser utilizado, agiliza a execução do serviço e reduz o tempo necessário para aquela atividade. Na locação, que gira em torno de 3% a 6% do valor do equipamento, a empresa também não precisa imobilizar um capital alto, ter espaço para armazenamento ou manter uma equipe especializada em manutenção. Ela utiliza a máquina pelo período necessário e depois devolve”, explica Sybele Bastos, gerente de operações da Palácio Locação de Máquinas.

Comprar ou alugar equipamentos?

Outro fenômeno associado a essa transformação é o crescimento da locação de equipamentos. Para empresas que precisam de determinada máquina apenas em uma fase da obra, alugar pode permitir acesso à tecnologia sem a necessidade de aquisição e manutenção de uma frota própria.

A Palácio Locação de Máquinas, empresa pernambucana com mais de 30 anos de atuação e presença também na Paraíba e no Rio Grande do Norte, aposta na locação como caminho para ampliar a mecanização dos canteiros sem exigir das construtoras a aquisição dos equipamentos. O portfólio inclui plataformas elevatórias móveis de trabalho, com alcance de seis a 43 metros, entre modelos tesoura e lança articulada, além de balancins de fachada, torres de iluminação a diesel e solar e caminhões munck. A locadora também assume a manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos e oferece treinamento aos profissionais que irão operá-los.

Na Ficons, diferentes equipamentos puderam ser vistos em funcionamento, permitindo mostrar como atividades, antes essencialmente manuais, estão sendo transformadas pela tecnologia.

“A escolha entre comprar ou alugar depende muito do prazo e da característica da obra. Quando é um projeto de curta duração e existe a necessidade de uma tecnologia que ajude a reduzir a quantidade de mão de obra, muitos clientes optam pela locação. Eles utilizam o equipamento para executar a obra em menos tempo e, quando terminam, fazem a desmobilização sem permanecer com aquele ativo. Já empresas que têm uma carteira de obras para vários anos tendem a optar pela aquisição e diluir esse investimento ao longo dos projetos”, explica Tarcísio Santos, gerente de máquinas da Sotreq para Pernambuco, Paraíba e Alagoas.


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