A semana começou com a atenção de toda a sociedade brasileira voltada para o segundo turno da Eleição para presidente da República, diante das perspectivas opostas que se delineiam a partir do perfil dos dois candidatos: Flávio Bolsonaro (PL) e Luíz Inácio Lula da Silva (PT), este pleiteando a reeleição. A fim de obter uma análise das possíveis trajetórias para o Brasil partindo do viés econômico, o Sinduscon-PE e a Ademi-PE convidaram, para a reunião-conjunta ocorrida na segunda-feira, 05, o economista Tiago Monteiro, CEO da Lifen Brasil.
Na opinião de Monteiro, o mercado financeiro já se posicionou claramente, tendo como alguns dos sinais a movimentação das bolsas de valores e da cotação do Dólar. Aos associados das duas entidades, o economista apresentou quatro caminhos possíveis sendo dois para cada resultado das urnas. Antes, contextualizou o Brasil que termina em 2026.
De acordo com os números apresentados por Tiago Monteiro, o INCC-M (12 meses) está em 6,56%, o IPCA (12 mses) em 4,22%, o Índice de Confiança da Indústria está em 44,9 pontos e a projeção do Boletim Focus para o fechamento do PIB em 2026 é de um crescimento de 1,86%, revelando uma trajetória de desaceleração iniciada ao fim de 2024, quando o crescimento do Produto Interno Bruto Nacional foi de 3,4%. “Depois do rebote pós-pandemia e da expansão de 2023–2024, o ritmo projetado converge para perto de 1%–2%”, comentou.
Tiago Monteiro apontou que o crédito imobiliário voltou a ganhar tração no primeiro semestre de 2026. “o SBPE avançou mesmo em ambiente de juros elevados, com forte alta no crédito à construção. O primeiro semestre de 2026 mostrou expansão de vendas, menor ritmo de lançamentos e redução de estoque”, disse. “A leitura não é “setor forte ou fraco”. É um mercado que segue ativo, mas cada vez mais segmentado por renda e funding”, completou.
Ainda Segundo Tiago Monteiro, a taxa de desemprego caiu a níveis historicamente baixos, o que configura um importante suporte para a demanda por moradia. No entanto, a “Taxa de Investimento continua baixa para um país que precisa crescer”. De acordo com pesquisa do IBGE, a população brasileira possui 4,4 milhões de empregadores, 39,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 13 milhões no setor público, 38,8 milhões de trabalhadores informais e 5,8 milhões de desempregados.
Aos associados presentes, o economista deixou a reflexão: “A pergunta não é quem vai vencer, mas o que ele vai entregar?”. Tiago Monteiro abriu a comparação entre os dois candidatos apontando duas rotas fiscais e uma mesma variável decisiva, no seu ponto de vista: credibilidade.
No campo Lula, destacou um ajuste gradual com superávit primário efetivo visado até 2030, com preservação de programas sociais, regras menos rígidas para crescimento do gasto e revisão de benefícios fiscais e desonerações, entre outros. Já no campo Flávio Bolsonaro, apontou intenção de ajuste mais rápido, em aproximadamente 24 meses, limitação do crescimento do gasto até estabilizar a dívida, e venda de ativos e privatização em discussão, entre outros.
O segundo turno da eleição para president da República acontecerá no dia 25 de outubro próximo. O encontro foi acompanhado ainda pelo presidente da Fiepe, Bruno Veloso, e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura do Recife, Miguel Ricardo.